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As funções
bioquímicas do zinco podem ser refletidas pelo seu envolvimento
na atividade de mais de 300 enzimas (McCall et al, 2000), como
estabilizador da estrutura molecular dos constituintes
subcelulares e de membrana, participando ainda, da síntese e
degradação dos carboidratos, lipídeos, proteínas e ácidos
nucléicos, além de desempenhar papel essencial na transcrição e
translação de polinucleotídeos, e consequentemente no processo
de expressão genética.
O papel do zinco como nutriente foi demonstrado em ratazanas pela
primeira vez em 1920 (Goldenberg., 1995). Com a descoberta da
primeira metalo-enzima dependente zinco, a anidrase carbônica,
começou-se a estabelecer relações entre as moléculas de zinco e
a fisiologia, esclarecendo a sua função nos organismos e a
fisiopatologia de sua ausência.
Sua deficiência apresenta, entre outras manifestações, deficit de
crescimento, inapetência, letargia, má cicatrização de feridas,
maior suscetibilidade às infecções, queda de cabelo, dermatite e
anormalidades no paladar e no olfato (Hambidge, 1972; Xue-Cun,
1985; Castilho-Duran 1987).
A deficiência limítrofe de zinco na infância, juntamente com uma
ingestão inadequada deste e uma baixa qualidade nutricional,
poderá interferir no crescimento e desenvolvimento, pois o zinco
atua como cofator de diversas metaloenzimas, as quais estão
envolvidas em vários processos bioquímicos.
Prasad (1961) identificou que os casos descritos em seu estudo
apresentavam nanismo, atrofia muscular, déficit de crescimento,
retardo na maturação esquelética e alterações da fosfatase
alcalina sérica, o que poderia ser justificado pela deficiência
de ferro e/ou zinco.
Deficiência de Zinco
A deficiência de
zinco foi negligenciada por muito tempo, porém torna-se cada vez
mais evidente sua elevada prevalência, principalmente nos casos
de ingestão insuficiente de proteínas, como em crianças, idosos
e em casos de desnutrição e anorexia.
Nos EUA a ingestão de zinco oscila entre 8 a 11 mg/dia (Moura,
1997). Pelo menos 40% dos americanos não consomem as quantidades
mínimas recomendadas de zinco. Em dietas infantis o conteúdo
diário de zinco varia de 5.5 mg a 8.5 mg, que fornece apenas de
55 a 85% das recomendações. As pessoas idosas geralmente
consomem entre 7 a 10 mg Zn/dia, também abaixo da recomendação.
Estes dois grupos, considerados grupos de risco, estão mais
susceptíveis a desenvolver patologias relacionadas à carência
crônica de zinco.
Zinco e crescimento
O zinco promove a
liberação do hormônio de crescimento (GH) e facilita sua ação
sobre o organismo. Além disso, ele melhora o paladar, o olfato e
o apetite. Um estudo recente realizado no departamento de
endocrinologia do Hospital das Clínicas da USP mostrou que 30%
das crianças pesquisadas aumentaram 50% o seu ritmo de
crescimento quando começaram a tomar zinco.
Berenice de Mendonça, coordenadora do ambulatório de gônadas,
intersexo e crescimento do HC-USP, diz que não é possível saber
se o zinco aumenta a altura final das crianças ou se ele
simplesmente acelera uma fase de crescimento que está atrasada.
No entanto, os especialistas já sabem que, quanto mais tarde
começa a fase de crescimento, menor poderá ser a estatura que a
criança alcança. A partir da puberdade, os hormônios sexuais
passam a fechar progressivamente as cartilagens dos centros de
crescimento ósseo e limitam a ação do GH e do zinco.
Trabalho semelhante realizado na Faculdade de Medicina de Botucatu
(Unesp) pelo endocrinologista José Brandão Neto, um dos
pioneiros nas pesquisas com o zinco no Brasil, confirma os
resultados do estudo do HC-USP. A deficiência de zinco durante a
infância resulta em um efeito negativo no sistema endócrino,
levando ao déficit de crescimento e outras manifestações
clínicas. O zinco é necessário para produção de mais de 300
enzimas, incluindo as fosfatases, metaloproteínases,
oxidoredutazes e transferases, envolvidas na síntese pratica, no
metabolismo de ácidos nucléicos e na função imunológica. Ele
também desempenha um importante papel na transcrição gênica.
Numerosos fatores da transcrição contém um elemento funcional
chamado de “Zinc-Finger”, composto de aproximadamente 30
aminoácidos ao redordo íon zinco.
O conceito de “Zinc-Finger” explica a atividade do zinco na
expressão genética e na função endócrina e o mecanismo de ação
envolve os efeitos do mineral na síntese de DNA e RNA e na
divisão celular (Salgueiro, 2002). O zinco está intimamente
ligado ao metabolismo ósseo assim age positivamente no
crescimento e desenvolvimento.
O zinco atua no crescimento. A figura 1 apresenta os mecanismos
pelos quais e o por quê é importante sua suplementação
nutricional.

Fonte: Salgueiro, 2002
Compostos de
Zinco
O suplemento de zinco mais
comum é o sulfato de zinco. Os sintomas colaterais mais importantes são os
digestivos, como as dores abdominais por gastrite aguda, diarréia, náuseas e
vômito. Sendo o sulfato de zinco um forte irritante da mucosa gástrica, era
comum utilizá-lo para provocar o vômito.
Suplementos de zinco como o gluconato e o picolinato apresentam melhor
tolerância gástrica. Entretanto, seu aproveitamento biológico é questionado,
pois além de serem pouco absorvidos, são pouco retidos. Seu efeito colateral
mais importante é o incremento da excreção, gerando balanços negativos do
metal. A forma de zinco menos absorvida é óxido.
Zinco Aminoácido Quelato Albion ®
Zinco Aminoácido Quelato Albion
® é um composto orgânico, com elevada biodisponibilidade e reduzidos efeitos
colaterais. A absorção do Zinco Chelazone® , por exemplo, é de 50%, sendo
considerada 2,5 vezes maior que a do sulfato de zinco e 4 vezes maior que a
do óxido de zinco.
* Nutricionista especializada em nutrição clínica, mestranda em nutrição
humana aplicada – USP, nutricionista responsável pelo CELANEM – Centro
Latino Americano de Nutrição e Estudos Metabólicos.
Referências bibliográficas
MOURA J. P., A revolução dos
nutrientes, p. 102, 1997.
PRASAD AS. Zinc deficiency in women, infants and children, 15:113, 1996
PRASAD AS, Zinc in ggrow and developement and spectrum of human zinc
deficiency, 7:377, 1988.
CHEN XC, Yin TA, HE, JS et al., Low Levels of zinc hair and blood, pica,
anorexia, and por growth in chinese preschool children. 42:694, 1985.
SALGUEIRO MJ, et al., Biovailability, biodistribuition and toxicity of biocinc,
2000 (in press).
GOLDENBERG RL, TAMURA T. NEGGERS Y., The effect of zinc supplementation on
pregnancy ouctome. JAMA, 274:463, 1995.
CASTILHO-DURAN, GARCIA H, Zinc supplementation and grow of infants born small
for gestation age., 127:206, 1987.
HAMBIDGE K, Zinc Nutrition of preschool children in the Denver Head Start
program., 29:734-48., 1972
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