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As funções do
cálcio estão diretamente relacionadas à formação dos ossos e
dentes, além de participar no crescimento e ser um cofator
regulador em várias reações bioquímicas.
Existe um consenso que a ingestão adequada de cálcio durante o
desenvolvimento ósseo e, possivelmente na idade adulta e no
envelhecimento, ajuda a prevenir a reabsorção óssea e a
osteoporose. A oferta de cálcio dietético dever ser suficiente
para manter normal suas concentrações séricas bem como os níveis
do hormônio paratireóide (PTH). Por outro lado, a baixa ingestão
resulta no aumento de reabsorção óssea (Celotti, 1999).
O consumo de cálcio no Brasil é muito baixo. A ingestão média de
leite é em torno de 300 ml por dia, que fornece aproximadamente
30% das necessidades de cálcio. Outros alimentos não correspondem
a 15% do cálcio diário total (Dutra-de-Oliveira, 1998). Se
quantidades adequadas de cálcio não estão sendo fornecidas pela
dieta, o cálcio será mobilizado dos ossos para a corrente
sangüínea. Isto reduz o conteúdo desse mineral nos ossos, o qual
aumentará a sua fragilidade.
De todos os fatores que sustentam os ossos, a proporção cálcio
magnésio é de primordial importância. Quando a quantidade de
magnésio no sangue diminui, os rins reajustam o equilíbrio retendo
menos cálcio. Quanto mais magnésio for ingerido, maior será a
quantidade de cálcio armazenada automaticamente pelo organismo. O
metabolismo do cálcio e do magnésio estão intimamente relacionados.
A absorção intestinal e a excreção renal de ambos são
interdependentes.
Sem quantidades suficientes de magnésio e outros minerais,
qualquer cálcio adicional não se depositará em torno dos ossos,
mas sim em outros lugares, como nas paredes das artérias, por
exemplo (Tanimura, 199-).
A osteoporose é uma das patologias mais prevalente associada com a
com a idade e um dos maiores problemas de saúde pública. A perda
da massa mineral óssea ocorre com o passar da idade e, nas
mulheres, é muito mais acentuada nas primeiros anos após a
menopausa, onde 54% têm osteoponia e 30% apresentam osteoporose
(OMS). Assim, a deficiência estrogênica representa fator de risco
independente no desenvolvimento da osteoporose (Fernandes, 2000).
Somente nos Estados Unidos, o total aproximado de fraturas
osteoporóticas chega a 1,3 milhões, a um custo aproximado de 15
bilhões de dólares anuais. O mais grave é que dos 250 mil
pacientes com fratura do colo do fêmur, 10-20% tiveram seu índice
de mortalidade devido a doenças relacionadas a fraturas, 33%
desses portadores de fratura do fêmur passam a Ter uma vida
limitada e 19% ficam com incapacidade total e precisam de cuidados
constantes. Portanto somente 28-35% dos idosos com fraturas
osteoporóticas do fêmur voltam a Ter uma vida normal (Knoplich,
1996).
Cálcio e prevenção
O cálcio deve fazer
parte de qualquer esquema preventivo ou terapêutico que se faça
para a osteoporose (Fernandes, 1998). Existe um consenso que a
ingestão adequada de cálcio durante o desenvolvimento ósseo e,
possivelmente na idade adulta e no envelhecimento, ajuda a
prevenir a reabsorção ósseo e a osteoporose. A oferta de cálcio
dietético deve ser suficiente para manter normal suas
concentrações séricas bem como os níveis de hormônio
paratireoidiano (PTH). Por outro lado, a baixa ingestão resulta no
aumento de reabsorção óssea (Celotti, 1999).
Recomenda-se uma elevada ingestão de cálcio, particularmente na
idade de 11-24 anos (National Research Council, 1989), para
obtenção do pico de massa óssea e, assim, prevenir a osteoporose (Hallberg,
1992).
O aumento na ingestão de cálcio pode compensar o impacto negativo
da proteína dietética na excreção urinária de cálcio, promovendo
um efeito favorável da no esqueleto em idosos (Dawson-Hughes B.,
2003).
A suplementarão com cálcio (1000-1200mg) diminui a perda óssea
relacionada a menopausa e reduz a taxa de frutas vertebrais e não
vertebrais.
A suplementarão com cálcio também é associada ao exercício aumenta
o status mineral ósseo em adolescente.
Deficiência de cálcio
Apresenta uma
Ingestão Diária Recomendada (IDR – Portaria no. 33, 1998)
relativamente alto quando comparada a maioria dos micronutrientes.
Sua ingestão varia muito entre os indivíduos, e de acordo com os
dados apresentados durante o “Public Health Services and Nutrition
Examinations Surveys”, os homens de todas as idades têm ingestão
de cálcio mais alta do que as mulheres. Entre as idades de 18 a 35
anos, 60 a 70% dos homens pesquisados tinham ingestão excedentes
ao RDA. Em contrapartida, metade das mulheres com idade acima de
15 anos consumia menos que a recomendação; aos 35 anos essa
proporção tinha aumentado para 75% (National Research Council,
1989).
De acordo com a National Food Consuption Survey, nenhum grupo de
mulheres adultas apresentou uma ingestão de cálcio igual ou maior
que o RDA de 800 mg.
Admite-se, que menos de 25% da população adulta apresente consumo
adequado de cálcio. A maioria da mulheres recebe menos de 500mg de
cálcio através da dieta, quantidade esta abaixo das recomendações
nutricionais de 1-1,5g para mulheres na pré e pós-menopausa (Fernandes,
1998).
O consumo de cálcio no Brasil é muito baixo. A ingestão média de
leite é em torno de 300 ml por dia, que fornece aproximadamente
30% das necessidades diárias de cálcio. Os demais alimentos não
lácteos correspondem a 15% das necessidades totais (Dutra de
Oliveira, 1998). Se quantidades adequadas de cálcio não estão
sendo fornecidas pela dieta, o cálcio será mobilizado nos ossos
para a corrente sanguínea. Isto reduz o conteúdo desse mineral nos
ossos, o qual aumentará a sua fragilidade .
Biodisponibilidade
Existem muitos
fatores que podem promover uma diminuição na absorção de cálcio.
Por exemplo, o cálcio é mais solúvel em meio ácido e,
consequentemente, mais rapidamente absorvido na parte superior do
intestino. Àqueles que apresentam maior acidez e não consomem
antiácidos, absorvem melhor o cálcio.
Enquanto permanecer solúvel, o cálcio pode ser quelado com uma
proteína ligante (calcium-binding) encontrada na membrana das
células intestinais. Uma vez que absorvido na célula, o cálcio
deve ser transportado em seu interior por outra proteína, cuja
produção depende da vitamina D.
Além disso, a formação de componentes insolúveis de cálcio no
estômago e no intestino certamente reduzirão sua absorção. Esses
componentes insolúveis podem ser formados quando consumimos
produtos à base de cereais, como pão integral que contém ácido
fítico; ou certos vegetais, como o espinafre, que contém ácido
oxálico. O cálcio insolúvel também pode se formar se houver muita
gordura na dieta, pois os ácidos graxos saponificam o cálcio no
intestino, tornando-o insolúvel.
Por fim, se houver uma quantidade excessiva de magnésio, alumínio,
fosfato ou enxofre de certos aminoácidos, a absorção de cálcio
será menor, pois esses minerais interferem na ligação de cálcio à
membrana da célula intestinal. Além disso, alguns podem formar um
precipitado insolúvel com o cálcio. Nesse caso, nenhum mineral
poderá ser absorvido.
O Instituto Nacional de Saúde (NIH) Consensus Development Panel on
Optimal Calciun Intake está indicando uma quantidade ainda maior.
Porém, uma consequência do alto consumo de cálcio, especialmente
na hora da refeição ou com suplementos de multivitaminas e
minerais, é uma inibição de, aproximadamente, metade da absorção
de ferro.
O mecanismo de interação entre cálcio e ferro ainda não é
conhecido. Alguns estudos demonstram que separar alimentos ricos
em cálcio de alimentos ricos em ferro, pode prevenir a inibição do
cálcio na absorção do ferro.
O cálcio de suplementos e dos alimentos diários (ex. leite, queijo)
normalmente inibe a absorção de ferro quando adicionados à
refeição. A questão sobre qual das fontes de cálcio potencializa o
efeito inibitório do cálcio sobre a absorção do ferro vem sendo
pesquisada por muitos. O cálcio na forma de cloreto de cálcio
inibe a absorção do ferro heme, com absorção variando de 52 – 76%
do controle.
O tempo do consumo de cálcio em relação ao ferro é importante. Em
estudos recentes, foi encontrado que o efeito do cálcio na
absorção do ferro era anulado se o cálcio fosse oferecido mais do
que 1 hora depois do ferro. Os resultados destes estudos indicam
um declínio mensurável na absorção do ferro quando a maioria da
dieta de cálcio foi consumida juntamente com refeições que
continham ferro. Aproximadamente 45% a mais de ferro foi absorvido
nesse período quando cálcio foi ingerido junto a uma refeição
pobre em ferro. Quando o cálcio não foi consumido numa refeição
rica em ferro, 0,44mg a mais de ferro foi absorvido pelos
pacientes. Os autores estimam que esta quantidade reduz a
deficiência de ferro em 14% em mulheres jovens. A absorção máxima
de ferro é obtida pela separação da ingestão de cálcio e ferro.
A interação entre cálcio e ferro está documentada em vários
estudos e ocorre, principalmente, quando ambos são ingeridos
juntos (Allen, Wood, 1994). Cook (1991) avaliou o efeito dos sais
de cálcio comumente utilizados como suplemento sobre a absorção de
ferro. Os resultados mostraram que 600 mg Ca/ dia na forma de
citrato ou fosfato de cálcio, reduziram a absorção do ferro heme
em 49% e a do ferro não heme em 62%. O mesmo ocorre a partir do
cálcio de fontes alimentares (Reddy, 1997).
Composto de
cálcio
Os suplementos de
cálcio chamados de naturais como o de ostras, oyster shell, ou
como a dolomita são inadequados pela sua baixa absorção e por
serem uma fonte de metais tóxicos como o chumbo. O chumbo como se
sabe, afeta o desenvolvimento do sistema nervoso e atua como alto
gerador de radicais livres, sendo muito difícil sua eliminação do
organismo. O citrtato de cálcio pode incrementar a absorção de
alumínio.
O carbonato de cálcio possui uma absorção muito baixa, é insolúvel,
e, estando iônico, interfere com a absorção de outros metais como
por exemplo o ferro e o zinco.
Cálcio
aminoácido quelato®
A absorção Cálcio
aminoácido quelato, se dá por transporte ativo, o que dispensa a
utilização da vitamina D. Além disso, é solúvel e independe do pH
ácido do estômago para ser absorvido. Indivíduos com acloridria ou
mesmo idosos que possuem pH mais alcalino, pode prejudicar a
absorção de cálcio, através da formação de precipitados insolúveis.
As formas de cálcio comumente utilizadas para a suplementarão, são
insolúveis e pobremente absorvidas. O carbonato de cálcio, por
exemplo, é 50% menos absorvido que o cálcio quelato, e, estando no
estado iônico, interfere na absorção, superando inclusive a
absorção de cálcio do leite (Heaney, 1990) (Gráfico1).
Gráfico1:
Absorção de cálcio

Fonte: Heaney, R. P. Calcif Tiss Int. 46:300-4, 1990.
Principais Indicações
- Prevenção ou tratamento de osteoporose
- Osteopenia
- Osteomalácia
* Nutricionista especializada em nutrição clínica, mestranda em
nutrição humana aplicada – USP, nutricionista responsável pelo
CELANEM – Centro Latino Americano de Nutrição e Estudos
Metabólicos.
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