|
A utilização de
magnésio como coadjuvante nos tratamentos de doenças pulmonares
tem sido relatada há aproximadamente 50 anos. Os efeitos do
magnésio podem ser mediados através de sua ação como um
antagonista de cálcio ou por ser cofator de sistemas enzimáticos
que envolvem o fluxo de sódio e potássio através da membrana
celular (Gilbert D’Angelo, 1992, McLean, 1994). Como resultado,
ocorre o relaxamento do músculo liso, a inibição da transmissão
neuromuscular colinérgica e a estabilização dos mastócitos. No
entanto, ainda é incerto quando a administração de magnésio serve
simplesmente para corrigir um estado de deficiência ou quando é
utilizada a fim de obter-se um efeito farmacológico específico
(McLean, 1994).
Indivíduos com distúrbios pulmonares, em especial os pacientes
asmáticos e com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC),
freqüentemente apresentam um desequilíbrio na homeostase de cálcio.
Tanto o magnésio como o cálcio desempenham funções dinâmicas na
estrutura e na atividade pulmonar. Na ausência de magnésio, a ação
do cálcio é aumentada. Por outro lado, o excesso de magnésio
bloqueia a função do cálcio, o que pode ser bastante importante
aos pacientes com problemas respiratórios, pois o influxo
intracelular de cálcio provoca uma contração na musculatura lisa
dos brônquios e, dessa forma, o magnésio estaria exercendo uma
ação broncodilatadora.
Deficiência de Magnésio
Sabe-se então que,
a deficiência de magnésio contribui para as complicações
pulmonares. Pacientes com DPOC podem desenvolver depleção de
magnésio devido a uma nutrição inadequada ou por tratamentos com
diuréticos e betagonista, além disso, o baixo consumo de magnésio
também pode estar envolvido na etiologia da asma e da DPOC.
As causas da deficiência de magnésio podem ser classificadas em
primária e secundária, onde o consumo insuficiente, a ingestão de
açúcar e gordura em excesso, a desnutrição protéico-calórica e a
nutrição parenteral deficiente em magnésio, fazem parte da
deficiência primária. Em contrapartida o alcoolismo, a absorção
diminuída, diarréia ou abuso de laxantes, síndrome de má-absorção,
vômitos, excreção renal aumentada, doença tubular,
glomerulonefrite, desordens metabólicas e endócrinas (ex.
hipertireoidismo, hipercalcemia, diabetes mellitus), medicamentos,
gravidez, stress físico e mental, compreendem as causas da
deficiência secundária de magnésio.
A maior parte dos brasileiros não consome a quantidade recomendada
de magnésio de 300 mg por dia (Ingestão Diária Recomendada,
Portaria n.º 31, 1998), uma vez que não tem por hábito ingerir
sistematicamente sua principal fonte – os vegetais verdes. Uma
pesquisa realizada pela USDA Food Consuption Survey, revelou que
74% dos entrevistados não atingiam as recomendações propostas pelo
National Research Council (NRC – RDA, 1989). Além do consumo
insuficiente, o stress tem sido apontado como um dos principais
fatores que depletam magnésio, onde a reposição do mineral surte
efeitos favoráveis.
Cumpre lembrar que, durante os últimos anos, tem-se aumentado o
consumo de cálcio na população dos EUA, porém o consumo de
magnésio tem permanecido o mesmo, o que causa um desequilíbrio na
proporção cálcio:magnésio (Landon, 1993).
Magnésio e Disfunções Pulmonares
Estudos
experimentais sustentam o conceito de que o magnésio atua em
várias estruturas do pulmão e, por essa razão, condições
patológicas como asma e hipertensão pulmonar podem ser
beneficiadas pela suplementação terapêutica de magnésio.
O magnésio inibe a vasoconstrição através da regulação do cálcio.
O cálcio liga-se nos sítios que provocam a liberação de
acetilcolina e inicia a contractilidade. Por competição nesses
sítios, o magnésio pode regular a atividade brônquica (Levine,
1984, Rolla, 1989). Sua deficiência aumenta a ação do cálcio
enquanto o excesso de magnésio a bloqueia, assim o magnésio
funciona como um “fraco” antagonista do cálcio nas células do
músculo liso (Matthew, 1988). Outras ações atribuídas ao magnésio
incluem um efeito antihistamínico nos mastócitos e uma influência
calmante no sistema nervoso central.
Existe um crescente interesse na relação de hipomagnesemia e
stress oxidativo nas doenças pulmonares.Investigou-se a atividade
de enzimas antioxidantes e o nível plasmático de magnésio em um
grupo de pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
Foram avaliadas as atividades das enzimas superóxido dismutase,
glutationa peroxidase e catalase nos eritrócitos. A atividade da
catalase estava significativamente diminuída nesses pacientes, os
quais também apresentavam baixa concentração plasmática de
magnésio. Assim, a DPOC é acompanhada por um baixo nível de
magnésio e uma alteração no status antioxidante, devido ao
possível stress oxidativo dessa doença.
Outros sintomas como ansiedade, confusão, fraqueza muscular (especialmente
nos músculos pulmonares) e taquicardia são também sinais e
sintomas comuns de distúrbios respiratórios e da deficiência de
magnésio (McLean, 1994).
Compostos de Magnésio
Suplementos comuns
de magnésio como o óxido e o sulfato são pobremente absorvidos.
São também utilizados como laxantes. Devido a este efeito
colateral, é impeditivo o uso destes suplementos que determinam
uma perda considerável de outros nutrientes, incluindo o próprio
magnésio.
Magnésio Aminoácido Quelato Albion®
A suplementação
ideal ocorre com a utilização de uma fonte de magnésio com elevada
biodisponibilidade e sem os efeitos gastrointestinais indesejáveis
característicos dos sais de magnésio. Por ser um composto orgânico,
o magnésio aminoácido quelato apresenta elevada biodisponibilidade
e tolerância, sendo absorvido através de transporte ativo, como um
dipeptídeo, e não depende de moléculas transportadoras no sítio
absortivo intestinal. Sua utilização garante uma terapêutica
realmente efetiva e segura (Gráfico 1).
Gráfico 1:
Absorção Intestinal de magnésio In Vitro

Fonte: Ashmead, H.D.
Graff, D. J., Ashmead, H.H. Intestinal absorption of metal ions
and chelates. Illinois: Charles C. Thomas, 1985. Graff, D. Weber
University.
* Nutricionista especializada em
nutrição clínica, mestranda em nutrição humana aplicada – USP,
nutricionista responsável pelo CELANEM – Centro Latino Americano
de Nutrição e Estudos Metabólicos.
Referências Bibliográficas
GILBERT D’ANGELO, E. K., SINGER, H. A., REMBOLD, C. M. Magnesium
relaxes arterial smooth muscle by decreasing intracellular Ca+2
without changing intracelluar Mg+2. J. Clin Invest, v. 89, p.
1988-1994, 1992.
LANDON, R. A., YOUNG, E. A. Role of magnesium in regulation of
lung function. J. Am Diet Assoc., v. 93, p. 674-677.
LEVINE, B. COBURN, J. Magnesium, the mimc/antagonist of calcium. N
Engl J Med, 310, p. 1253-1254, 1984.
MATHHEW, R, ALTURA, B. Magnesium and the lungs. Magnesium, v. 7,
p. 173-187, 1988.
McLEAN, R. M., Magnesium and its therapeutic uses: a review. V.
96, The American Jounal of Medicine, jan. 1994.
ROLLA, G., BUCCA, C. Hypomagnesemia and bronchial hyperractivity.
Allergy, v. 44, 510-521, 1989.
OKAYAMA, H., et al. Bronchodilanting effect of intravenous
magnesium sulfate in bronchial asthma. JAMA, v. 257, p. 1076-1078,
1987.
|