
ARTIGOS E PUBLICAÇÕES
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MINERALS IN THE NEWS – NOVEMBRO 2011
Magnésio e Câncer: Uma ligação perigosa.
Magnes Res. 2011; 24 (3) :92-100
Castiglioni S, et al.
O magnésio tem uma relação complexa com o câncer. Nesta revisão, o conhecimento atual envolve a contribuição do magnésio para tumorigênese, a partir de células transformadas até modelos animais, e finalizando com dados de estudos em seres humanos. Culturas de células neoplásicas tendem a acumular magnésio. Acredita-se que os altos níveis de magnésio intracelular confiram uma vantagem metabólica para as células, por contribuir em alterações do genoma, e por promover a aquisição de um fenótipo imortal. Em ratos deficientes de magnésio, baixos níveis deste mineral limitam e promovem tumorigênese, uma vez que na inibição do crescimento do tumor no local de origem é observado um aumento na colonização metastástica. Estudos epidemiológicos identificam a deficiência de magnésio como um fator de risco para alguns tipos de câncer em humanos. Além disso, a homeostase prejudicada do magnésio é relatada em pacientes com câncer, e muitas vezes complica o tratamento com algumas drogas contra a doença. Mais estudos devem ser conduzidos para avaliar se uma intervenção simples e de baixo custo visando a otimização da ingestão de magnésio poderia ser útil na prevenção e tratamento do câncer.
Alterações nos níveis de magnésio ionizado na doença de Alzheimer leve a moderada.
Magnes Res. 2011; 24 (3) :115-21.
Barbagallo M, et al.
A deficiência de magnésio é encontrada em doenças crônicas relacionadas à idade, tais como doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas. A doença de Alzheimer (AD) é a causa mais comum de demência. Este estudo avaliou a homeostase do magnésio em pacientes com Alzheimer leve a moderada. Cento e um pacientes idosos foram recrutados consecutivamente (idade média: 73,4 ± 0,8 anos; M / F: 42/59) e em todos os pacientes, foi realizada uma avaliação abrangente de geriatria incluindo o estado cognitivo e funcional. Os critérios de admissão para o grupo AD (diagnosticados de acordo com o DSM-IV e os critérios NINCDS-ADRDA) incluíram: leve a moderado comprometimento cognitivo (escore MMSE: 11-24/30, corrigido para idade e educação). Foram analisadas amostras de sangue para magnésio sérico total (Mg-tot) e magnésio sérico ionizado (Mg-ion). Pacientes com Alzheimer apresentaram escores significativamente mais baixos para MMSE, e para testes de função física. O Mg-ion estava significativamente mais baixo no grupo AD quando comparado ao grupo controle (composto por adultos sem Alzheimer). Não foram encontradas diferenças significativas em Mg-tot entre os dois grupos. Para todos os sujeitos, os níveis de Mg-ion foram significativamente e diretamente relacionados apenas à função cognitiva, e não foram encontradas correlações significativas entre magnésio e ADL ou IADL neste grupo de pacientes. Os resultados mostraram a presença de alterações subclínicas em Mg-íon de pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada.
Tratamento oral de ferro possui efeito positivo no seu metabolismo em jogadores de futebol.
Biol Trace Elem Res. 2011; 142 (3) :398-406.
Villanueva J, et al.
Este estudo avalia os efeitos da suplementação oral de ferro nas análises hematológicas e no metabolismo do ferro em jogadores de futebol. Trinta e cinco membros do time de futebol da Real Zaragoza SAD participaram deste estudo: o grupo A (GA, n = 24; Spanish Premier League) recebeu uma suplementação oral de ferro de 80 mg/dia por 3 semanas, e o grupo B (GB, n = 11; Spanish Third Division League) não foi submetido a nenhum tratamento. No grupo GA, os parâmetros foram medidos antes após a suplementação de ferro, enquanto que no outro grupo, as medições foram feitas apenas segunda coleta, do grupo GA. Após a suplementação, GA mostrou um aumento no ferro sérico (SI) (p <0,05), na ferritina sérica (FTN) (P <0,01) e na saturação de transferrina (Sat) (p <0,01) comparado aos valores basais. Além disso, GA apresentou valores mais elevados de hematócrito (p<0,01), volume corpuscular médio (p<0,01), FTN (p <0,01) e saturação da transferrina (p<0,01) em relação ao grupo GB. Nenhuma diferença significativa foi encontrada em outros parâmetros. Mais especificamente, uma maior percentagem de jogadores apresentava níveis de ferritina sérica acima dos limites em GA vs GB e GB teve maior incidência de ferritina sérica abaixo dos menores limites em relação aos indivíduos no grupo GA. Além disso, após o tratamento, 58,3% do GA tiveram 800 mg de SI, enquanto que todos os jogadores no GB apresentaram níveis abaixo dos limites inferiores.Assim, pode-se recomendar , a suplementação de ferro com 80 mg/dia durante 3 semanas, antes do início da temporada de futebol.
Zinco para o Déficit de Atenção/ Hiperatividade: Estudo piloto, Placebo-controlado, duplo-cego isoladamente ou combinado com anfetamina.
J Child Adolesc Psycopharmacol.. 2011; 21 (1) :1-19.
Arnold LE; Disilvestro RA, et al.
OBJETIVO: Avaliar a suplementação de zinco em crianças americanas com déficit de atenção e hiperatividade (ADHD). Relataram significativo benefício de 13-40 mg de zinco elementar como sulfato.
MÉTODO: 52 crianças com idade entre 6-14 anos com déficit de atenção/hiperatividade foram aleatoriamente designadas para a suplementação com zinco (15mg toda manhã [qAM] ou duas vezes por dia na forma glicinato, n = 28) ou placebo combinado (n = 24) por 13 semanas: 8 semanas de monoterapia e depois 5 semanas, com adição de d-anfetamina (AMPH). A dose de AMPH foi padronizada para duas semanas e otimizada clinicamente pela 13ª semana. Zinco glicinato foi escolhido por apresentar menos desconforto gastrointestinal que o sulfato. Algumas hipóteses sugerem que o zinco poderia melhorar a desatenção mais do que o placebo por tamanho efeito de d> 0,25 em 8 semanas; zinco + AMPH melhoraria os sintomas de ADHD comparado ao grupo AMPH + placebo por d> 0,25. Ainda a dose ideal de AMPH com zinco seria 20% menor do que com placebo. Uma análise provisória solicitada pelo National Institute of Mental Health resultou em uma dosagem maior, de modo que 20 receberam 15mg/dia toda manhã e 8 30mg/dia (15mg glicinato).
RESULTADOS: Somente a terceira hipótese foi confirmada: dose ideal de AMPH mg/kg com o zinco glicinato foi 37% menor comparado ao placebo. Outros resultados clínicos foram ambíguos, às vezes, favorecendo o zinco, outras vezes, o placebo, mas medidas neuropsicológicas objetivas beneficiaram predominantemente o zinco (d = 0,36-0,7). Testes de segurança e eventos adversos não foram diferentes entre os grupos. Os índices de cobre e ferro no sangue não foram prejudicados com 30mg/dia de zinco por 8 semanas.
CONCLUSÃO: Doses de até 30mg/dia de zinco foram seguras por até 8 semanas, entretanto o efeito clínico foi equivocado, exceto por redução 37% na dose ideal de anfetaminas com 30mg/dia de zinco (não com 15mg). As possíveis razões para as diferenças a partir de relatórios incluem dietas endêmicas, genética populacional, taxa relativa de deficiência de zinco, diferença no histórico nutricional, dose ou absorção insuficiente, ou, ainda, ânion errado (sulfato pode ser necessário para benefício relatado). A dose pode ser especialmente importante: vantagens sobre o placebo só apareceram com a dose de 15mg de glicinato ao invés de uma vez por dia. Pesquisas futuras devem usar doses maiores que 15mg/dia, fornecer uma ingestão diária recomendada básica de suplemento multivitamínico mineral para uma padronização nutricional de todos os participantes, selecionar os sujietos para zinco baixo, e considerar a interação do ânion.
Suplementos de cálcio e vitamina D e Impacto na Saúde: reanálise dos dados de Women’s Health Initiative (WHI)
Am J Clin Nutr. 2011; 94 (4) :1144-9.
Bolland MJ, et al.
RACIONAL: A ingestão de suplementos de cálcio fora do protocolo ocasionou efeito adverso de co-administração de cálcio e vitamina D (CaD) sobre o risco cardiovascular no Women’s Health Initiative (WHI).
OBJETIVO: Investigar os efeitos do uso doméstico de suplementação de vitamina D e cálcio sobre outros desfechos no WHI CaD Study (WHI CaD), usando os dados dos ensaios clínicos de acesso limitado do WHI.
DELINEAMENTO: Estudo de 7 anos, randomizado, placebo-controlado com CaD (1 g Ca/400 UI de vitamina D por dia) em 36.282 mulheres pós-menopáusicas residentes na comunidade. As incidências de câncer total (excluindo os câncer de pele não melanoma), mama e colorretal, fratura total e de quadril, e a mortalidade foram avaliadas usando modelos de risco proporcional de Cox.
RESULTADOS: No presente estudo, foram encontradas interações entre o uso doméstico de quaisquer suplementos de cálcio ou vitamina D e CaD e câncer total, de mama e colorretal, mas não para fratura ou mortalidade. Em 15.646 mulheres (43%) que não estavam tomando cálcio ou suplementos de vitamina D por conta própria na randomização, CaD diminuiu significativamente o risco de câncer total, de mama e câncer de mama invasivo em 14-20%, e reduziu de forma não significativa risco de câncer colorretal em 17% . Em mulheres que tomaram seus próprios suplementos de vitamina D ou cálcio, CaD não alterou o risco de câncer (HR: 1,06-1,26).
CONCLUSÕES: Para as mulheres que não estavam tomando suplementos domésticos de cálcio e vitamina D na randomização, CaD diminuiu o risco de câncer total, de mama, colorretal e não alterou o risco de fraturas ou mortalidade total. Os efeitos não esqueléticos de CaD podem ser mais importantes do que os efeitos esqueléticos e devem ser considerados quando estes suplementos são avaliados.
