MINERALS IN THE NEWS – MARÇO 2011

Cereais desidratados fortificados com ferro eletrolítico ou fumarato ferroso são igualmente eficazes em crianças alimentadas com leite materno
Ziegler EE et al
J Nutr. 2011; 141(2): 243-8

Nos Estados Unidos, os cereais infantis instantâneos pré-cozidos são fortificados com ferro eletrolítico, uma fonte de baixa reatividade e baixa biodisponibilidade. Presume-se que o ferro obtido do fumarato ferroso seja mais disponível. Neste estudo, comparou-se um cereal infantil desidratado de arroz (Cereal L) fortificado com ferro eletrolítico (54,5 mg ferro/100 g cereal) com um cereal similar (Cereal M) fortificado com fumarato ferroso (52,2 mg Fe/100 g), com o objetivo de avaliar a eficácia na manutenção do status de ferro e na prevenção da deficiência de ferro em lactentes. Acrescentou-se ácido ascórbico em ambos os cereais. Neste estudo prospectivo, randomizado duplo-cego, foram incluídos bebês com 1 mês amamentados exclusivamente no peito, e o status de ferro foi determinado periodicamente. Aos 4 meses, 3 crianças apresentaram anemia por deficiência de ferro e foram excluídas do estudo. No quarto mês, noventa e cinco bebês foram randomizados, e 69 (36 Cereal L, 33 Cereal M) completaram a intervenção aos 9 meses. Do quarto ao nono mês, estes consumiram diariamente um dos cereais do estudo. Em cada grupo de cereal, dois bebês apresentaram uma leve deficiência de ferro (prevalência de 4,2%), mas nenhuma desenvolveu anemia. Não houve diferença no status de ferro entre os grupos estudados. A ingestão de ferro (média ± DP) foi de 1,21 ± 0,31 mg-kg (-1) mcg/d (-1) para o grupo de cereal L e 1,07 ± 0,40 mg-kg (-1) mcg/d (-1) para o grupo M. Onze crianças tinham baixo estoque de ferro ao nascimento (ferritina plasmática <55 mcg/L em 2 meses) e 54% destas crianças tinham deficiência de ferro com ou sem anemia aos 4 meses. Concluiu-se que o ferro eletrolítico e o fumarato ferroso foram igualmente eficazes como fortificantes de cereal infantil.


Micronutriente em pó com baixas doses de ferro e zinco altamente absorvíveis reduz a deficiência de ferro e de zinco e melhora o escore-Z peso-para-idade em crianças sul-africanas
Troesch B, et al
J Nutr. 2011, 141(2): 237-42

Muitas vezes, micronutrientes em pó são adicionados em alimentos complementares ricos em compostos inibidores da absorção de ferro e zinco. A maioria destes micronutrientes em pó inclui grandes quantidades de ferro e zinco, mas, em áreas de malária, não é recomendado utilizar micronutrientes em pó que contenham a referência para a ingestão de nutrientes de ferro em uma única porção. O objetivo deste estudo foi testar a eficácia de um micronutriente em pó com pequena quantidade de ferro e zinco (2,5 mg cada), contendo ferro como NaFeEDTA, ácido ascórbico e uma fitase exógena ativa em pH intestinal. Em um estudo duplo-cego e controlado, crianças sul-africanas com idade escolar que apresentaram baixo status de ferro (n = 200) foram randomizadas para receber, por 5 dias/semana durante 23 semanas, um micronutriente em pó ou um veículo não fortificado acrescentado, pouco antes do consumo, a um mingau de milho com alta quantidade de fitato; os resultados primários foram os status de ferro e de zinco, e o desfecho secundário foi o crescimento somático. Comparado com o controle, o micronutriente em pó aumentou a ferritina sérica (p<0,05), as reservas corporais de ferro (p<0,01) e o escore-Z peso-para-idade (p<0,05), e reduziu o receptor de transferrina (p<0,05). A prevalência da deficiência de ferro caiu em 30,6% (p<0,01) e a prevalência de deficiência de zinco diminuiu em 11,8% (p<0,05). A absorção de ferro a partir do micronutriente em pó foi estimada em 7-8%. A inclusão de fitase exógena combinada com NaFeEDTA e ácido ascórbico podem permitir uma redução significativa na dose de ferro em micronutrientes em pó, enquanto estiverem fornecendo adequadas quantidades de ferro e zinco. Além disso, é provável que o micronutriente em pó melhore a absorção de alto teor de ferro nativo de alimentos complementares à base de cereais e/ou legumes.

Relação entre os níveis séricos de zinco, hormônios e volume da tireóide após a suplementação de iodo bem sucedida
Wessells KR, et al
J Nutr. 2011, 141(2): 237-42.

O zinco é essencial para muitos processos bioquímicos e, também, para a proliferação celular. Os hormônios tiroidianos influenciam o metabolismo do zinco, afetando sua absorção e excreção. Além disso, a deficiência de zinco afeta a função da tireóide. O objetivo do presente estudo foi avaliar uma possível associação dos níveis de zinco com o volume da tireóide e com os níveis de hormônios e auto-anticorpos tiroidianos em indivíduos saudáveis, em pacientes com doença auto-imune de tireóide (DAT) e em pacientes com bócio nodular, após uma suplementação de iodo bem sucedida. Trata-se de um estudo transversal onde os 201 sujeitos avaliados não estavam sob tratamento médico e não foram submetidos anteriormente à cirurgia de tireóide ou tratamento radioiodo. Setenta pacientes tinham bócio nodular, 67 DAT e 64 tinham tireóide normal. O volume da tireóide foi calculado por medições de ultra-sonografia. T4, T3 e TSH livres, níveis de anti-peroxidase tireoidiana e anti-tireoglobulina foram determinados por metodologia adequada. Em pacientes com tireóide normal, os níveis de zinco foram significativamente e positivamente correlacionados com os níveis de T3 livre (p<0,001). No grupo de bócio nodular, o volume da tireóide foi negativamente correlacionado com TSH e os níveis circulantes de zinco (p = 0,014 e p = 0,045, respectivamente). No grupo DAT, auto-anticorpos da tireóide e zinco foram significativamente correlacionados positivamente. A análise de regressão múltipla revelou uma relação significativa entre o volume da tireóide e o zinco somente nos pacientes com bócio nodular (p = 0,043). Houve correlação significativa dos níveis séricos de zinco com o volume da tireóide em pacientes com bócio nodular, com auto-anticorpos da tireóide em DAT e com T3 livre em pacientes com tireóide normal.

Ingestão de magnésio e de oligoelementos após uma intervenção no estilo de vida
BS Milanesio, et al
Nutri. 2011; 27 (1):108-10.

Estudos observacionais sugerem que alguns oligoelementos e o magnésio (Mg) melhoram o metabolismo da glicose, os marcadores de inflamação e o estresse oxidativo, mas estudos de suplementação apresentaram resultados inconsistentes. Nosso objetivo foi avaliar se um estudo de intervenção no estilo de vida, visando reduzir gorduras total e saturada e aumentar a ingestão de fibras, poderia também afetar a ingestão de selênio (Se), zinco (Zn), cobre (Cu), cromo (Cr), e Mg. O consumo alimentar de Se, Cr, Zn, Cu e Mg foi avaliado no início e no final de um estudo de intervenção no estilo de vida realizado em 335 adultos dismetabólicos. No baseline, a ingestão dos oligoelementos e do Mg nos grupos de intervenção (n = 169) e controle (n = 166) não foram significativamente diferentes. O primeiro aumentou significativamente sua ingestão de Se, Mg e Cr, enquanto o último reduziu o consumo de Mg, Zn e Cr. Diferenças entre os grupos foram significativas para o Mg, Cr e Se. As recomendações de estilo de vida mais saudável podem melhorar o padrão de ingestão de micronutrientes e de Mg, que pode desempenhar um papel independente na melhoria de alguns marcadores metabólicos, inflamatórios e oxidativos.

Suplementação materna de zinco durante a gravidez afeta a função autonômica de crianças peruanas com 54 meses de idade
Caulfield LE, et al
J Nutr. 2011, 141 (2):327-32

A suplementação materna de zinco durante o pré-natal melhorou a regulação autonômica fetal em uma população peruana com deficiência de nutrientes. Para avaliar se as diferenças na regulação autonômica existia na primeira infância, foram estudadas 165 crianças de um estudo de suplementação com zinco (80% da amostra original), como parte de uma avaliação abrangente aos 54 meses de idade. Dados do eletrocardiograma (ECG) foram coletados em crianças em repouso e enquanto eram submetidas a uma bateria de testes cognitivos através de um protocolo previamente padronizado. Destas crianças, 79 nasceram de mães que receberam 25 mg/d de zinco, além de 60 mg/d de ferro e 250 mcg/d de ácido fólico durante a gestação, e 86 eram nascidas de mães que receberam apenas ferro e ácido fólico. Medidas cardíacas derivadas incluíram ciclo cardíaco, intervalo, variabilidade do ritmo cardíaco, quadrado médio das diferenças sucessivas e uma medida do tônus vagal. As crianças do grupo de suplementação com zinco tiveram um maior ciclo cardíaco (ou seja, ritmo mais lento do coração), maior intervalo, maior variabilidade no tempo-independente (HPV) e tempo-dependente (MSSD) no ciclo cardíaco, e maior tônus vagal (p<0,05) no baseline. Análises realizadas em todo o período de testes cognitivos revelaram efeitos similares da suplementação com zinco durante o pré-natal nos padrões cardíacos. Concomitantemente, a concentração plasmática de zinco também foi associada a um ciclo cardíaco mais longo, maior variabilidade, e tônus vagal (p<0,10). As diferenças nos padrões cardíacos devido à suplementação com zinco no pré-natal foram detectadas em crianças aos 54 meses de idade, durante condições de repouso e de testes, indicando que a suplementação em gestantes deficientes em zinco tem consequências benéficas a longo prazo para o desenvolvimento neural associada com a regulação autonômica.