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MINERALS IN THE NEWS – MAIO 2011
Redução intra-operatória de selênio está associada ao desenvolvimento de disfunção multiorgânica pós-operatória em pacientes cardíacos cirúrgicos
Stoppe C et al.
Crit Care Med. 2011 [Epub ahead of print].
Os oligoelementos cobre, selênio e zinco são essenciais para a manutenção do equilíbrio oxidativo. A depleção de minerais antioxidantes tem sido observada em pacientes gravemente enfermos e está associada ao desenvolvimento de disfunção de múltiplos órgãos e aumento da mortalidade. A cirurgia cardíaca utilizando bypass cardiopulmonar provoca estresse oxidativo mediado por reperfusão isquêmica. Supõe-se que uma redução intra-operatória de oligoelementos circulantes pode estar envolvida nesta resposta. Trata-se de um estudo clínico prospectivo observacional no centro de operação cardiotorácico e unidade de terapia intensiva de um Hospital Universitário com sessenta pacientes (65 ± 14 anos de idade) submetidos à cirurgia cardíaca utilizando bypass cardiopulmonar. Foram medidas as concentrações sanguíneas de selênio, cobre e zinco após a indução de anestesia e 1 hora após a admissão na unidade de terapia intensiva. Todos os pacientes foram separados em subgrupos previamente definidos de acordo com o desenvolvimento de nenhuma insuficiência do órgão, insuficiência de um único órgão, e maior ou igual a duas insuficiências no período pós-operatório. Cinquenta pacientes apresentaram uma significativa deficiência de selênio antes da cirurgia, enquanto que as concentrações de cobre e zinco apresentaram valores dentro da faixa de referência. Em todos os pacientes, os níveis sanguíneos de selênio, cobre e zinco foram reduzidos significativamente após o término da cirurgia, quando comparados aos valores pré-operatórios (selênio: 89,05 ± 12,65 para 70,84 ± 10,46 mcg/L; zinco: 5,15 ± 0,68 para 4,19 ± 0,73 mg/L; cobre: 0,86 ± 0,15 para 0,65 ± 0,14 mg/L, p <0,001) Durante a sua permanência na UTI, 17 pacientes não apresentaram qualquer falha de órgão, enquanto 31 desenvolveram insuficiência de um único órgão e 12, insuficiência de múltiplos órgãos. Análise de regressão mostrou que as concentrações de selênio no final da cirurgia foram independentemente associadas à ocorrência pós-operatória de insuficiência de múltiplos órgãos (p = 0,0026, odds ratio 0,8479, intervalo de confiança 95% 0,7617 para 0,9440). A cirurgia cardíaca com bypass cardiopulmonar resultou em uma profunda diminuição intra-operatória dos níveis sanguíneos de oligoelementos antioxidantes. As baixas concentrações de selênio no final da cirurgia foram um preditor independente para o desenvolvimento pós-operatório de insuficiência de múltiplos órgãos.
A Importância do potássio para o controle da hipertensão
Houston MC.
Curr Hypertens Rep. 2011 [Epub ahead of print].
Estudos observacionais, ensaios clínicos e diversas meta-análises têm demonstrado que a ingestão de potássio reduz significativamente a pressão sanguínea de maneira dose-resposta. Em pacientes hipertensos, a relação dose-resposta linear compreende em uma redução de 1,0 mm Hg na pressão sistólica e de 0,52 mm Hg na pressão diastólica, por 0,6 g/dia de aumento na ingestão de potássio, que é independente da deficiência deste nutriente no baseline. O consumo de 4,7 g (120 mmol) de potássio/dia promove uma redução média da pressão sanguínea de 8,0/4,1 mm Hg, dependendo da raça e do consumo relativo de outros minerais, como sódio, magnésio e cálcio. Se a ingestão de cloreto de sódio for alta, há uma maior redução da pressão sanguínea com o aumento da ingestão de potássio. Os negros têm uma maior diminuição da pressão arterial do que os brancos, com a mesma ingestão de potássio. A redução na pressão sanguínea induzida pelo potássio diminui significativamente a incidência de derrame (acidente vascular cerebral, AVC), doenças coronarianas, infarto do miocárdio e outros eventos cardiovasculares. No entanto, o potássio também reduz o risco de AVC, independente da redução da pressão sanguínea. O aumento no consumo de potássio para 4,7 g/dia prevê menores taxas de eventos para doenças cardiovasculares, com diminuição estimada de 8% para 15% em AVC e de 6% para 11% no infarto do miocárdio.
Status de oligoelementos em Diabetes Mellitus Tipo 2: possível papel da interação entre molibdênio e cobre no progresso de complicações típicas
Flores CR et al.
Diabetes Res Clin Pract. 2011; 91(3): 333-41.
É amplamente conhecido que, tanto a deficiência bem como uma possível sobrecarga de micronutrientes, têm efeitos adversos na saúde. Ainda, acredita-se que os xenobióticos não essenciais contribuem para o dano oxidativo, que é considerado um dos principais fatores do diabetes e de suas complicações. O objetivo deste trabalho foi revisar sobre o papel global de metais / metalóides no progresso da diabetes mellitus tipo 2. Em tal abordagem, alumínio, vanádio, cromo, manganês, cobalto, níquel, cobre, zinco, arsênio, selênio, molibdênio, mercúrio, cádmio e chumbo foram determinados por espectrometria de massa (ICP-MS) no soro e na urina de 76 pacientes diabéticos (idade 52 ± 8 anos, 5-16 anos de diabetes mellitus tipo 2, 52 sujeitos com complicação ligeira a moderada e 24 com complicações graves). Foi avaliada, por métodos convencionais, uma série de parâmetros antropométricos e clínicos geralmente utilizados no follow-up de pacientes. Análise estatística (teste t não pareado, análise de correlação e análise de componentes principais) foi realizada em busca de possíveis relações existentes entre os metais / metalóides e esses parâmetros. Os resultados obtidos sugerem que a interação antagônica entre o molibdênio e o cobre pode estar envolvida na progressão das complicações do diabetes.
Status de selênio, volume da tireoide e formação de nódulos múltiplos em uma área com deficiência leve de iodo
Rasmussen LB et al.
Eur J Endocrinol. 2011; 164(4): 585-90.
O objetivo do presente estudo foi avaliar, antes e após a introdução da fortificação com iodo, associações entre a concentração sérica de selênio e o volume da tireoide, bem como associação entre a concentração sérica de selênio e o risco para um aumento da glândula tireoide em uma área com deficiência leve de iodo. Outro objetivo foi examinar associação entre a concentração sérica de selênio e a prevalência de nódulos tireoidianos. Foram incluídos participantes de dois estudos transversais similares, realizado antes (1997-1998, n = 405) e após (2004-2005, n = 400) a introdução da fortificação de iodo. A concentração sérica de selênio e o iodo urinário foram medidos, e a glândula da tireoide foi examinada por ultra-sonografia nos mesmos indivíduos. Associações entre a concentração sérica de selênio e os parâmetros da tireoide foram examinados em vários modelos de regressão linear ou modelos de regressão logística. Observou-se uma associação negativa significativa entre a concentração sérica de selênio e o volume da tireoide (p = 0,006), e um baixo status de selênio aumentou significativamente o risco para o alargamento da tireoide (p = 0,007). Além disso, o baixo status de selênio mostrou uma tendência a aumentar o risco para o desenvolvimento de múltiplos nódulos (p = 0,087). A baixa concentração sérica de selênio foi associada a um maior volume da tireoide e a uma maior prevalência de alargamento desta.
Disfunção adaptativa de selenoproteínas do ponto de vista da teoria da triagem: porquê a deficiência moderada de selênio pode aumentar o risco de doenças no envelhecimento
McCann JC et al.
FASEB J. 2011 [Epub ahead of print].
A teoria da triagem propõe que a deficiência moderada de qualquer vitamina ou mineral (V / M) pode aumentar as doenças relacionadas à idade. Acredita-se que as proteínas dependentes de vitamina ou mineral necessárias para a sobrevivência a curto prazo e/ou para a reprodução (isto é, "essenciais") estão protegidas da deficiência de nutrientes em relação a outras proteínas "não essenciais" necessárias somente a longo prazo. O resultado é o acúmulo de danos, aumentando o risco de doenças. Testou-se com sucesso a teoria contra as evidências publicadas sobre a vitamina K. O presente estudo revisou metade das 25 selenoproteínas conhecidas em mamíferos: ou fenótipos mutantes em humanos ou em ratos que poderiam ser usados como critério para a classificação de essencial ou não essencial. Cinco selenoproteínas (GPx4, Txnrd1, Txnrd2, Dio3 e Sepp1) foram classificadas como essenciais e 7 (Gpx1, GPx2, Gpx3, Dio1, Dio2, Msrb1 e SelN) como não-essenciais. Na deficiência moderada de selênio, as concentrações e as atividades das selenoproteínas não essenciais ficam inativas, com uma exceção (Dio1 na tireoide, o que prevemos ser condicionalmente essencial). Mecanismos incluem a necessidade de uma forma especial de tRNA sensível à deficiência de Se para a tradução de mRNAs selenoproteínas não essenciais, exceto Dio1. O mesmo grupo de doenças relacionadas à idade e condições, incluindo câncer, doença cardíaca e disfunção imunológica, são prospectivamente associadas à deficiência moderada de Se e também com a disfunção genética de selenoproteínas não-essenciais, sugerindo que a deficiência de Se pode ser um fator causal, possibilidade reforçada por evidências mecanísticas. A deficiência moderada de Se é comum em muitas partes do mundo e um consumo ideal poderia prevenir doenças futuras.
