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MINERALS IN THE NEWS – DEZEMBRO 2010
Deficiência de magnésio e Síndrome Metabólica: estresse e inflamação podem refletir a ativação do cálcio
Rayssiguier Y, Libako P, Nowacki W, Rock E.
Magnes Res. 2010; 23(2):73-80.
A ingestão de magnésio (Mg) é insuficiente na dieta ocidental e a Síndrome Metabólica é altamente prevalente em populações ao redor do mundo. Estudos epidemiológicos sugerem que a alta ingestão de magnésio pode reduzir o risco, mas há possibilidade de existirem fatores de confusão, dada a forte associação entre o Mg e outros nutrientes benéficos (vegetais, fibras, cereais). O conceito de que a Síndrome Metabólica é uma condição inflamatória pode explicar o papel do Mg. A deficiência de magnésio resulta em um efeito de estresse e aumento da susceptibilidade a danos fisiológicos produzidos pelo estresse. O estresse ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e o sistema nervoso simpático. A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona é um fator no desenvolvimento de resistência à insulina pelo aumento ao estresse oxidativo. Em seres humanos e em ratos, o aldosteronismo resulta em um estado imunoestimulador e conduz a um fenótipo inflamatório. A resposta ao estresse induz à liberação de grandes quantidades de aminoácidos excitatórios e ativa o fator nuclear NFkappaB, promovendo a tradução de moléculas envolvidas na regulação celular, no metabolismo e na apoptose. O aumento dos neuropeptídeos também está bem documentado. A ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) induzida pelo estresse tem sido identificada por desempenhar um papel importante no acúmulo de gordura corporal, mas não há evidências de que o Mg esteja envolvido na regulação do peso corporal. Um dos primeiros eventos na resposta aguda ao estresse é a disfunção endotelial. As células endoteliais contribuem ativamente para a inflamação através da elaboração de citocinas, da síntese de mediadores químicos e da expressão de moléculas de adesão. A deficiência experimental de Mg em ratos induz a uma síndrome inflamatória clínica caracterizada por ativação de leucócitos e macrófagos, síntese de citocinas inflamatórias e de proteínas de fase aguda, além de extensa produção de radicais livres. Um aumento na concentração de Mg extracelular diminui os efeitos inflamatórios, enquanto que a redução no Mg extracelular resulta na ativação celular. O efeito da deficiência de Mg no desenvolvimento de resistência à insulina em ratos é bem documentado. A inflamação que ocorre durante a deficiência de Mg experimental é o mecanismo que induz a hipertrigliceridemia e alterações pró-aterogênicas no metabolismo das lipoproteínas. A presença da disfunção endotelial e da dislipidemia desencadeia agregação plaquetária, aumentando, assim, o risco de eventos trombóticos. O estresse oxidativo contribui para a elevação da pressão arterial. A síndrome inflamatória induz a ativação de vários fatores, que são dependentes da ativação do cálcio citosólico. Recentes descobertas sustentam a hipótese de que o efeito do magnésio na homeostase do Ca2+ intracelular pode ser um elo comum entre o estresse, a inflamação e uma possível relação com a Síndrome Metabólica.
Papel do zinco na patogênese de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade: implicações para a pesquisa e tratamento
Lepping P, Huber M.
CNS Drugs. 2010;24(9):721-8.
O transporte de dopamina é regulado por zinco (Zn2+), que interage diretamente com a proteína transportadora como um potente bloqueador não-competitivo de translocação do substrato (transporte de dopamina para dentro e para fora). O fato de que a disfunção do transporte de dopamina esteja envolvida na patogênese do transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) se torna interessante no contexto dos estudos que sugerem o envolvimento da deficiência de zinco em pacientes com TDAH. Neste artigo, é apresentada uma hipótese quanto ao mecanismo causador da deficiência de zinco em TDAH e porquê o zinco pode ser benéfico como uma medicação adicional e / ou adjuvante de psicoestimulantes (metilfenidato, anfetamina) em pacientes TDAH com deficiência de zinco. A hipótese é baseada em trabalhos in vitro publicados que mostram que o transportador de dopamina humano contém um local de ligação de alta afinidade do zinco (His-193, His-375, Glu-396) em sua face extracelular que modula a função do transportador, e estudos in vivo, que sugerem que a resposta aos estímulos é reduzida em pacientes TDAH com deficiência de zinco. Parece provável que a suplementação com zinco em pacientes TDAH com deficiência deste nutriente melhora o status dos locais de ligação de zinco ocupados insuficientemente no transportador de dopamina. Propôs-se a testar esta hipótese através do recrutamento de pacientes TDAH com deficiência de zinco, os quais serão submetidos a tomografia por emissão de pósitrons com o método de deslocamento de racloprida para investigar se o zinco aumenta os níveis de dopamina extracelular.
Magnésio e sistema cardiovascular
Shechter M.
Magnes Res. 2010;23(2):60-72.
A hipomagnesemia é comum em pacientes hospitalizados, especialmente em idosos com doença arterial coronariana (DAC) e/ou portadores de insuficiência cardíaca crônica. A hipomagnesemia está associada a um aumento da incidência de diabetes mellitus, síndrome metabólica, taxa de mortalidade por DAC e de todas as causas. A suplementação com magnésio melhora o metabolismo do miocárdio, inibe o acúmulo de cálcio e morte celular do miocárdio, melhora o tônus vascular, a resistência vascular periférica, reduz arritmias cardíacas e melhora o metabolismo lipídico. O magnésio também reduz a vulnerabilidade a radicais livres, melhora a função endotelial humana e inibe a função plaquetária, incluindo a agregação plaquetária e adesão, o que potencialmente faz com que o magnésio tenha efeitos fisiológicos e naturais semelhantes aos inibidores da adenosina difosfato, tais como clopidogrel. Os dados sobre seu uso em pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) são conflitantes. Dois ensaios clínicos randomizados em larga escala recém-publicados (Fourth International Study of Infarct Survival e Magnesium in Coronaries) não apontaram qualquer vantagem do magnésio intravenoso em relação ao placebo, embora alguns prévios estudos clínicos randomizados de amostras relativamente pequenas demonstraram uma notável redução da mortalidade quando administrado em pacientes IAM com risco relativamente elevado. No entanto, existem potenciais benefícios teóricos da suplementação de magnésio como agente cardioprotetor em pacientes com DAC, bem como resultados promissores de trabalhos anteriores em animais e em seres humanos. Estes estudos são econômicos, fáceis de manusear e são relativamente livres de efeitos adversos, proporcionando ao magnésio um papel no tratamento de pacientes com DAC, especialmente em grupos de alto risco, como pacientes com DAC e insuficiência cardíaca, idosos e pacientes hospitalizados com hipomagnesemia. Além disso, a terapia de magnésio está indicada em arritmias ventriculares com risco de vida, tais como torsades de pointes e taquicardia ventricular intratável.
Leite fortificado com micronutrientes melhora o status de ferro, a anemia e o crescimento em crianças de 1-4 anos: estudo randomizado, duplamente-mascarado, controlado.
Sazawal S et al.
PLoS One. 2010;5(8):e12167.
Deficiências de micronutrientes são altamente prevalentes entre crianças pré-escolares e, muitas vezes, levam à anemia e a comprometimento no crescimento. Dado o sucesso limitado dos programas de educação e de suplementação, a fortificação de alimentos pode ser uma opção viável e sustentável. Neste artigo são relatados os resultados de um estudo randomizado, duplo-mascarado com base na comunidade entre crianças de 1-4 anos para avaliar os efeitos dos micronutrientes disponíveis em leite fortificado (especialmente de zinco e ferro) sobre anemia, crescimento e indicadores de status de ferro. O delineamento do estudo é de quatro grupos, sendo executados dois estudos simultaneamente. As crianças inscritas (n = 633) foram alocadas aleatoriamente para receber leite fortificado com micronutrientes (MN = 316) ou leite controle (Co = 317). A intervenção com leite MN forneceu quantidades adicionais correspondentes a 7,8 mg de zinco, 9,6 mg de ferro, 4,2 mcg de selênio, 0,27 mg de cobre, 156 mcg de vitamina A, 40,2 mg de vitamina C, e 7,5 mg de vitamina E por dia (três porções) durante um ano. A antropometria foi registrada no baseline, no meio e no final do estudo. Os parâmetros hematológicos foram estimados no início e no final do estudo. Ambos os grupos eram comparáveis no baseline. A adesão foi superior a 85% e não variou entre os grupos. Comparado às crianças que consumiram leite Co, crianças consumindo leite MN apresentaram melhora significativa no ganho de peso (diferença de média: 0,21 kg/ano, 95% intervalo de confiança [CI] 0,12-0,31, p<0,001) e ganho em altura (diferença de média: 0,51 cm/ano, 95% CI 0,27-0,75, p<0,001). A média de hemoglobina (Hb) (diferença de 13,6 g/L, 95% CI 11,1-16,0, p<0,001) e de níveis séricos de ferritina (diferença de 7,9 mcg/L, 95% CI 5,4-10,5, p<0,001) também melhorou. As crianças do grupo MN tiveram 88% (odds ratio = 0,12, 95% CI 0,08-0,20, p<0,001) menor risco de anemia por deficiência de ferro. O leite é um veículo aceitável e eficaz para disponibilizar micronutrientes específicos, especialmente zinco e ferro. O pool de micronutrientes melhorou o crescimento e o estado nutricional de ferro e reduziu a anemia em crianças de 1-4 anos de idade.
Síndrome cerebelar subaguda induzida por hipomagnesemia reversível
Sedehizadeh S et al.
Biol Trace Elem Res. 2010; 07 de julho;
O magnésio é o segundo cátion intracelular mais abundante e é um co-fator fundamental em uma infinidade de reações enzimáticas celulares. A deficiência de magnésio causa diversas características clínicas, predominantemente devido à cardio e à neurotoxicidade. Este artigo descreve um caso de hipomagnesemia severa associada a nistagmo downbeat intermitente, ataxia cerebelar, convulsões generalizadas e uma taquicardia supraventricular. Nas imagens de ressonância magnética, uma lesão transitória do nodulus cerebelar foi observada, o que não tem sido descrita, até o momento, na hipomagnesemia isolada.
