MINERALS IN THE NEWS – AGOSTO 2010

Magnésio, inflamação e obesidade em doença crônica
Nielsen FH et al.
Nutr Rev. 2010; 68(6):33-40.

Resumo: Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos adultos não consomem a necessidade média estimada para o magnésio, entretanto não têm sido relatadas condições patológicas generalizadas atribuídas à deficiência de magnésio. O baixo status de magnésio tem sido associado a várias patologias caracterizadas por um componente de estresse inflamatório crônico. Em humanos, ingestões deficientes de magnésio estão, na sua maior parte, entre marginal a moderada (aproximadamente 50% a <100% do recomendado na dieta). Experimentos em animais indicam que os sinais de deficiência marginal a moderada de magnésio podem ser compensados ou agravados por outros fatores que influenciam o estresse oxidativo e inflamatório; estudos recentes sugerem uma ocorrência similar em seres humanos. Tal sugestão pode ser significante na obesidade, que é caracterizada por ter um componente inflamatório crônico de baixo grau e um aumento na incidência de baixo status de magnésio. A deficiência marginal a moderada de magnésio através da exacerbação do estresse inflamatório crônico pode contribuir significativamente para a ocorrência de doenças crônicas, tais como a aterosclerose, hipertensão, osteoporose, diabetes e câncer.

Magnésio e envelhecimento
Barbagallo M et al.
Curr Pharm Des. 2010;16(7):832-9.

Resumo: Nas últimas décadas, a relevância clínica e a importância biológica do magnésio (Mg) foram documentadas. A deficiência de Mg, além de ter um impacto negativo sobre a via de produção de energia requerida pelas mitocôndrias para gerar ATP, também reduz o limite de capacidade antioxidante do organismo e sua resistência a danos causados pelos radicais livres. O Mg também atua como antioxidante contra a ação danosa dos radicais livres da mitocôndria. A inflamação crônica e o estresse oxidativo foram identificados como fatores patogênicos no envelhecimento e em várias doenças relacionadas à idade. A deficiência crônica de Mg resulta em produção excessiva de radicais livres procedentes do oxigênio e inflamação de baixo grau. O envelhecimento é muitas vezes associado à insuficiência deste mineral e a um aumento da incidência de diversas doenças crônicas, com perda muscular e sarcopenia, alterações nas respostas imunes e nas condições metabólicas e vasculares, tais como aterosclerose, diabetes e síndrome de risco cardiometabólico. A causa mais comum de déficit de Mg na população idosa é sua deficiência na dieta, embora o déficit secundário de magnésio no envelhecimento também possa ser resultado de diversos mecanismos. O objetivo do presente estudo é discutir os mecanismos e as consequências das alterações do metabolismo do Mg com a idade, as dificuldades na mensuração do status deste nutriente, e rever as evidências atuais que sugerem que os déficits crônicos de magnésio com a idade podem estar relacionados como uma das condições fisiopatológicas, podendo elucidar as interações entre inflamação, estresse oxidativo com o processo de envelhecimento e algumas doenças relacionadas à idade.

Ruptura da sinalização CaMKII/CREB é associada ao comprometimento da memória e da capacidade de aprendizado induzido pela deficiência de zinco
Gao HL et al.
Neurotox Res. 2010; 01 de julho; [Epub ahead of print]

Resumo: Muitos estudos têm demonstrado que a deficiência de zinco não só retarda o crescimento, mas também afeta diversas funções cerebrais, incluindo o aprendizado e a memória. No entanto, os mecanismos básicos do comprometimento da memória e da capacidade de aprendizado dependente do hipocampo sob deficiência de zinco estão mal elucidados. Neste estudo, ratos jovens foram alimentados com uma dieta deficiente em zinco (0,85 ppm) durante 5 semanas. Dados do labirinto aquático de Morris mostraram que a deficiência de zinco resulta no comprometimento da aprendizagem espacial. Em seguida, verificou-se se os defeitos de memória e de aprendizagem induzidos pela depleção de zinco estão associados com alterações na sinalização de moléculas essenciais para a expressão de potenciação de longa duração. Os resultados de Imunoblot mostraram que os níveis de calmodulina (CaM), da proteína quinase II dependente de calmodulina fosforilada (CaMKII), e da proteína ligadora ao elemento responsivo a cAMP fosforilada (CREB) foram reduzidos significativamente, enquanto os níveis de proteína total de CaMKII e CREB não alteraram no hipocampo deficiente de zinco. Assim, propõe-se um mecanismo previamente não reconhecido em que a deficiência de zinco prejudica a memória e a aprendizagem hipocampal, pelo menos em parte, através da ruptura da via de sinalização CAM/CaMKII/CREB.

Fortificação de farinhas de cereais com zinco: recomendações atuais e necessidades de pesquisa
Brown KH et al.
Food Nutr Bull. 2010; 31(Suppl 1): S62-74.

Resumo: A fortificação com zinco é recomendada como uma estratégia adequada para melhorar o status de zinco na população, mas são necessários esclarecimentos sobre os tipos e níveis apropriados de fortificação de farinhas de cereais com zinco para os programas de fortificação em massa. São revistas as informações disponíveis sobre a análise científica, eficácia e efetividade dos programas de fortificação com zinco, e desenvolvem-se orientações sobre os níveis adequados de fortificação de farinhas de cereais, com base em simulações de quantidade de zinco absorvida sob diferentes condições alimentares e informações sobre possíveis efeitos adversos. Realiza-se a revisão sistemática da literatura científica e aplicação de uma equação de predição existente para estimar a absorção de zinco. Pesquisas previamente concluídas demonstram que a ingestão de zinco e a absorção são aumentadas quando os alimentos fortificados com zinco são consumidos, mas ainda há pouca informação disponível sobre os efeitos biológicos dos programas de fortificação em larga escala. Estudos sugerem que não há desvantagens dos valores recomendados de fortificação com zinco considerando-se as propriedades sensoriais dos alimentos enriquecidos com este mineral, e a maioria das pesquisas indica que não há efeitos adversos da fortificação com zinco na utilização de outros minerais. A fortificação de farinhas de cereais com zinco é uma estratégia segura e adequada para melhorar o status de zinco nos subgrupos populacionais que consomem quantidades adequadas de farinhas de cereais fortificados, embora sejam necessárias informações adicionais para confirmar a eficácia e a efetividade dos programas de fortificação de zinco em larga escala visando o controle da deficiência deste nutriente. O grau de fortificação depende do subgrupo da população, sua quantidade usual de consumo de farinhas, o grau de moagem e fermentação praticado, e as doses habituais de zinco e fitato a partir de outras fontes alimentícias. Recomendações de fortificação são apresentadas para diferentes cenários da dieta.

Prevalência de hipo e hipermagnesemia em uma população urbana iraniana
Syedmoradi L et al.
Ann Hum Biol. 2010, 13 de julho; [Epub ahead of print].

Resumo: O magnésio (Mg) desempenha um papel importante nos processos metabólicos e sua deficiência ou excesso pode afetar negativamente o metabolismo. Embora a deficiência e o excesso de magnésio estejam associados com uma variedade de condições médicas, não foi relatada a prevalência de hipo e hipermagnesemia em uma população urbana iraniana. Este estudo transversal foi realizado em 1.558 indivíduos (754 homens e 804 mulheres), selecionados aleatoriamente entre os participantes do Estudo de lipídeos e glicose de Teerã (Tehran Lipid and Glucose Study (TLGS)). O nível sérico de magnésio foi medido por espectrofotometria de absorção atômica de chama. A hipo e a hipermagnesemia foram definidas pelas concentrações séricas de Mg <0,75 mmol/L e Mg >1,04 mmol/L, respectivamente, e as concentrações séricas sub-óptimas de Mg foram definidas pelos níveis séricos de Mg <0,8 mmol/L. A prevalência de hipomagnesemia foi de 4,6% na população total, sendo mais prevalente no sexo feminino (6,0%) quando comparado aos homens (3,2%) (p<0,05). A prevalência global de hipermagnesemia foi de 3,0% e foi mais prevalente nos homens (3,2%) do que nas mulheres (2,7%) (p<0,05). Os níveis sub-ótimos de Mg foram encontrados em 14,6% da população total. Os dados mostram uma prevalência relativamente alta de níveis anormais de Mg sérico entre a população em geral, níveis que podem contribuir para a fisiopatologia de diversas doenças.

Toxina essencial: impacto do zinco na saúde humana
Plum LM et al.
Int J Environ Res Public Health. 2010;7:1342-65

Resumo: Em comparação a outros íons metálicos com propriedades químicas similares, o zinco é relativamente inofensivo. Apenas a exposição a altas doses possui efeitos tóxicos, tornando a intoxicação aguda por zinco um evento raro. Além da intoxicação aguda, a longo prazo, a suplementação de zinco em doses elevadas interfere na absorção do cobre. Por isso, muitos de seus efeitos tóxicos são, na verdade, devido à carência de cobre. Enquanto a homeostase sistêmica e os eficazes mecanismos de regulação a nível celular geralmente impedem a absorção de doses citotóxicas de zinco exógeno, este desempenha um papel importante nos eventos citotóxicos em células isoladas. O zinco influencia a apoptose pela ação em diversos reguladores moleculares de morte celular programada, incluindo caspases e proteínas das famílias BCL e BAX. Um órgão onde o zinco é envolvido na morte celular é o cérebro, e a citotoxicidade em consequência de isquemia ou trauma envolve o acúmulo de zinco livre. Ao invés de ser um íon metálico tóxico, o zinco é um oligoelemento essencial. Enquanto a intoxicação por exposição excessiva é rara, a deficiência de zinco é comum e tem um impacto negativo no crescimento, no desenvolvimento neuronal e na imunidade e, em casos graves, suas consequências são letais. Os riscos à saúde humana são a deficiência de zinco causada por má nutrição e alimentos com baixa biodisponibilidade, o envelhecimento, algumas doenças, ou a homeostase desregulada, sendo mais comuns do que a intoxicação.