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Todos os seres vivos necessitam
de ferro, com exceção de algumas espécies de Lactobacillus. O ferro existe na
forma de óxido de ferro ou ferro metálico e apresenta baixa biodisponibilidade
para o homem. (DUTRA et al.,1998)
Metabolismo do
Ferro e suas Funções
O ferro desempenha função
importante em vários processos celulares como na síntese de DNA e no transporte
de elétrons, é um componente essencial da hemoglobina que transporta o oxigênio
no sangue para os tecidos incluindo o músculo esquelético. (RISSER et al., 1988)
O ferro é componente do grupo heme de várias proteínas como a hemoglobina,
mioglobina e de enzimas essenciais como citocromo C, catalase e enzimas do ciclo
de Krebs. O grupo heme é o local ativo para o transporte de elétrons realizado
pelos citocromos na mitocondria. Nesse local há captação de oxigênio tanto pela
mioglobina muscular quanto pela hemoglobina do eritrócito. O heme também é o
local ativo das peroxidases que protegem as células contra a lesão oxidativa por
reduzir os peróxidos a água.
Deficiência de
Ferro
A deficiência de ferro é
considerada atualmente um problema de saúde pública. Estima-se que 40% da
população mundial é deficiente em ferro, o que totaliza 2 bilhões de pessoas. As
causas desta alta prevalência são várias, sendo o hábito alimentar e a
biodisponibilidade do ferro os fatores principais. As condições sócio-culturais,
as doenças, o sexo e a idade também devem ser considerados.
Na índia, onde a doença
ancilostomíase é prevalente e o vegetarianismo é obrigatório em muitas religiões,
a deficiência de ferro atinge a grande maioria. Nos Estados Unidos, enquanto a
qualidade da nutrição em ferro diminuiu com o consumo excessivo de “fast foods”,
lanches, pizza e refrigerante, tanto a deficiência de ferro quanto a anemia
ferropriva tornaram-se gradualmente mais prevalentes nos últimos 30 anos. Porém
com a fortificação de alimentos básicos esta incidência tem diminuído. No norte
da Europa, a população branca de classe média vem apresentando alta prevalência
na deficiência de ferro e anemia apesar do enriquecimento de ferro na farinha de
trigo. Nos países em desenvolvimento como o Brasil, a fortificação de alimentos
com ferro na farinha de trigo e de milho está em fase de regulamentação. (ANVISA,
2002) A quantidade de ferro absorvida no intestino é determinada pelo sistema
reticuloendotelial, pelo catabolismo eritrocitário e pelos estoques do
hepatócito. Alterações fisiológicas ocorrem com o déficit de ferro, tanto pela
inadequada oxigenação dos tecidos durante o exercício, quanto pela ação anormal
das enzimas. (Dietary Reference Intakes, 2002)
Deficiência de
Ferro e Performance
A prevalência da inadequação no
balanço de ferro em homens atletas tem sido observada em até 10% podendo atingir
20% em atletas do sexo feminino. (BALABAN et al., 1989) Baixas concentrações de
eritrócitos de hemoglobina tem sido observadas não apenas em fundistas mas
também em triatletas e nadadores. (SELBY et al., 1986) A síntese de hemoglobina
quando diminuída, influencia negativamente o exercício por limitar o suporte de
oxigênio para a contração muscular. (VIETRI et al., 1974)
As baixas concentrações de
ferritina apresentadas em atletas de endurance podem ser justificadas pela alta
demanda na manutenção do “turnover” de ferro. Essa demanda é aumentada pela
síntese de proteínas que contém ferro em sua estrutura além de alterações que
ocorrem na absorção intestinal. (LAMPE et al., 1986) Portanto, a deficiência de
ferro é capaz de comprometer a performance do atleta. (LAMANCA et al.,1993).
Como a performance é o resultado determinante da produtividade dos componentes
físicos, não é novidade que a deficiência de ferro afeta negativamente a
capacidade de realização do exercício aeróbio. (CONVERTINO, 1991)
Vários fatores podem prejudicar a
performance durante a deficiência de ferro. O déficit de ferro afeta o consumo
de oxigênio máximo e a performance pode ser reduzida num curto período de
exercício intenso por prejudicar a capacidade do músculo esquelético no
metabolismo oxidativo. No exercício de endurance, tem sido observada a
deficiência de ferro intracelular no músculo esquelético.
Diante desse fato é importante
avaliar e conduzir a alimentação de atletas, que iniciam sua carreira desde a
infância. O profissional nutricionista deve esclarecer e orientar essa população
quanto a importância da qualidade e seleção dos alimentos que compõem o
cotidiano. A adequação de macro e microminerais é capaz de interferir no
resultado tão almejado por esse grupo, onde um segundo vale ouro.
Drª Flávia Abdallh
Nutricionista do Ambulatório de
Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas
e Doutoranda em Ciências - Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo.
Referências
Bibliográficas:
1. ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília, 03 de agosto
2001. http://www.anvisa.gov.br/divulgação/notícias/030801.html
2. BALABAN E.P.; COX J.V.;SNELL P.; et al. The frequency of anemia and iron in
the runner. Med. Sci Sports Exerc 1989;21:643-8p.
3. CONVERTINO V. A.;Blood Volume: its adaptation to endurance trainning.
Med.Sci Sports Exerc. 1991.23:1338-1348.
4. DIETARY REFERENCE INTAKES for Vitamin A, Vitamin K, Arsenic, Boron,
Chromium, Copper, Iodine, Iron, Manganese, Molybdenum, Nickel, Silicon,
Vanadium,
and Zinc, 2002. 305.
5. DUTRA J.E.O.;MARCHINI J.S.;Ciências Nutricionais,1998.144.
6. LAMANCA J.J.; HAYNES E.M., Effects of iron depletion on VO2 max.,
endurance, and blood lactate in women. Med.SciSports Exerc 1993.25:1386-92.
7. LAMPE J.W. et al., Poor iron status of women runners trainning for a
marathon. Int. J. Sports Med. 1996. 7:111-114.
8. RISSER W.L.; LEE E.J.; POINDEXTER H.B.; et.al, Iron deficiency in female
athletes: its prevalence and impact on performance.Med.Sci Sports Exerc
1988.20:116-21.
9. SELBY G.B.;EICHNER E.R. - Endurance swimming, intravascular hemolisys,
anemia and iron depletion: new perspective on athletes anemia. Am. J. Med.
1986.81:791-794.
10. VIETRI F., TORUM B.,: Anemia and physical work capacity. Clin Haematology
1974.3:609-626.
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