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A anemia por deficiência de ferro
(anemia ferropriva) continua sendo a enfermidade por deficiência de um só
nutriente de maior prevalência no mundo. De uma população mundial estimada em
6.5 bilhões, ao menos 2,5 bilhões (38%) sofrem desse distúrbio nutricional. O
grupo etário de maior prevalência está constituído por crianças em idade
préescolar. 1
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QUADRO Nº 1 -
NECESSIDADES DE FERRO ABSORVIDO EM CRIANÇAS DE 0 A 2 ANOS |
| |
0 - 6 meses |
0,5 - 1 anos |
1 - 2 anos |
|
Para crescimento |
0,25 |
0,53 |
0,29 |
|
Perdas |
0,24 |
0,37 |
0,46 |
|
Necessidade Total |
0,49 |
0,90 |
0,75 |
Steke A. Necesidades de hierro en el lactante y el niño/ Nestle Nutrition,
1984. |
Em ótimas condições de nutrição
da mãe, um recém-nascido a termo que pesa 3 Kg, tem uma quantidade total de
ferro em torno de 225 mg, ou seja 75 mg/Kg de seu peso corporal. À medida que o
bebê cresce, seu conteúdo total de ferro aumenta e suas necessidades diárias de
ferro absorvido aumentam simultaneamente. Entre 6 meses a 1 ano de idade, a
maior parte do ferro corporal é necessária para manter um crescimento adequado.2
(Quadro nº 1)
É sabido e amplamente documentado
que o leite materno é o alimento ideal para a nutrição infantil durante os
primeiros meses de vida. No entanto, a contribuição do leite materno em alguns
nutrientes, entre eles o ferro, começa a ser deficiente desde os primeiros meses
de vida do bebê. Segundo informações publicadas pelo «Food and Nutrition Board»
e «Institute of Medicine » dos Estados Unidos, em crianças entre 6 e 12 meses de
idade, a necessidade diária de ferro absorvido é de 1.07 mg.3
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QUADRO Nº 2 - ADEQUAÇÃO
DE INGESTÃO DE FERRO EM BEBÊS ALIMENTADOS COM LEITE MATERNO |
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Necessidade de ferro
absorvido = 1.07 mg/dia |
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País |
Ingestão diária
(µg) |
Ferro absorvido
(µg/dia) |
% de
Adequação |
|
Guatemala |
220 |
110 |
11.4 |
|
Filipinas |
460 |
230 |
23.9 |
|
Hungria |
245 |
126 |
13.1 |
|
Nigéria |
336 |
168 |
17.5 |
|
Suécia |
357 |
178 |
18.5 |
|
Zaire |
260 |
130 |
13.5 |
OMS/OIEA. Calidad y cantidad de leche materna. OMS, Ginebra, 1985
OMS/OIEA. Elementos menores y oligoelementos en la leche materna. OMS,
Ginebra, 1989 |
Estudos publicados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Órgão Internacional de Energia Atômica
(OIEA) mostraram que, tanto o volume de leite materno produzido por dia quanto
sua composição, são afetados pelo estado nutricional da mãe. Após três meses de
aleitamento, apesar de sua grande biodisponibilidade (50%), a contribuição em
ferro do leite materno não é suficiente para suprir as necessidades do bebê em
crescimento.4,5 (Quadro nº 2)
Ao analisar o quadro nº 2 ,
observa-se claramente que, para suprir as necessidades diárias da criança em
crescimento, é necessário administrar-lhe quantidades adicionais de ferro de
biodisponibilidade adequada para assegurar que suas necessidades diárias sejam
atendidas.
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QUADRO Nº 3 - EFEITO
COMPARATIVO DO TRATAMENTO DE CRIANÇAS ANÊMICAS COM FERRO DE SULFATO
FERROSO OU COM FERRO BIS-GLICINA QUELATO |
|
Tratamento por 30 dias
com 5 mg de Fe/kg/dia e 250 µg de Folato/dia |
| |
|
Hemoglobina g/dl |
Ferritina µg/l |
|
Grupo |
N |
Basal
Prom.±d.s. |
Post TX
Prom.±d.s. |
Basal
Prom.±d.s. |
Post TX
Prom.±d.s. |
|
FeSO4 |
18 |
8.8±1.51 |
10.5±0.81 |
43.9±23.2 |
70.4±45.7 |
|
FeAAC |
20 |
8.0±1.22 |
10.5±1.22 |
53.6±36.2 |
128.2±86.9 |
Pineda O, Ashmead HD. Effectiveness of Treatment of
Iron-Deficiency Anemia in Infants and Young Children with Ferrous
Bisglycinate Chelatrte. Nutrition 2001;17:381-84 |
Em geral, os sais inorgânicos de
ferro são pobremente absorvidos e grandemente afetados pela dieta consumida. Por
outro
lado, o ferro bis-glicina quelato se absorve até 90% em crianças anêmicas e não
é afetado pela dieta consumida.6 Adicionalmente, demonstrou-se experimentalmente
que a absorção do ferro bis-glicina quelato (Ferrochel®) é efetivamente regulada
pelas reservas de ferro do organismo pelo qual não existe risco de sobre dose em
crianças.7
Estudos clínicos controlados
realizados em crianças anêmicas, nas quais se comparou a efetividade do
tratamento com sulfato ferroso ou Ferrochel, em doses de 5 mg de ferro por Kg de
peso corporal, demonstraram claramente que o tratamento com Ferrochel foi
superior. Tratamentos de apenas 30 dias de duração permitiram elevar em 2 g/L o
conteúdo de hemoglobina no sangue destas crianças, além de, no caso do Ferrochel,
normalizar as reservas corporais de ferro medidas por incremento dos níveis de
ferritina plasmática. Ver Quadro nº 3.
Estes resultados se confirmaram
em outro estudo no qual doses iguais de ferro em formulações de igual
concentração de ferro derivado de sulfato ferroso ou de Ferrochel em produtos
farmacêuticos comerciais, foram usados no tratamento de crianças pré-escolares
anêmicas por um período de 4 semanas. Estes resultados são apresentados no
Quadro nº 4.
De acordo com os dados obtidos,
calculou-se a biodisponibilidade aparente dos compostos utilizados no tratamento,
sendo 26.7% para o sulfato ferroso e de 90.9% para o ferro bis-glicinaquelato.6
Na população infantil em geral (crianças normais e anêmicas) a
biodisponibilidade média do quelado é de 40%.
Para estimar a dose terapêutica
de Ferrochel a ser utilizada, deve-se ter em conta qual a necessidade basal
diária de ferro absorvido para cada idade, isto é, a quantidade de ferro
necessária para manter um funcionamento normal do organismo. Ver Quadro nº 5.
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QUADRO Nº 4 - TRATAMENTO
COMPARATIVO DE CRIANÇAS ANÊMICAS - COM SULFATO FERROSO OU COM FERROCHEL |
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Tratamento por 30 dias
com 5 mg de Fe/kg/dia e 250 µg de Folato/dia |
| |
|
Hemoglobina g/dl |
Ferritina µg/l |
|
Grupo |
N |
Basal Promedio
± s.e. |
Post TX Promedio
± s.e. |
Promedio Basal |
Geométrico Post TX |
|
Iberol 500 |
25 |
10.0±1.44 |
12.3±1.44 |
23.8 |
29.4 |
|
Metal Kel |
23 |
9.7±1.55 |
11.8±1.35 |
23.2 |
34.4 |
Pineda O. Clinical studies using iron bis-glycinate chelate. INACG,
Washington, D.C., 1996 |
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QUADRO Nº 5 -
NECESSIDADES DE FERRO ABSORVIDO EM DIFERENTES IDADES |
|
Idade (anos) |
OMS*
µg Fe/Kg/dia |
mg ferro/dia** |
|
0.5 - 1.0 |
120 |
1.07 |
|
1.5 |
56 |
1.24 |
|
2.5 |
44 |
1.26 |
|
3.5 |
44 |
1.34 |
|
4.5 |
44 |
1.45 |
|
5.5 |
44 |
1.56 |
|
6.5 |
44 |
1.66 |
* FAO. Food and Nutrition Series No. 23. Rome, 1988
** Food and Nutrition Boeard. Institute of Medicine. Dietary Reference
Intakes. Washington, D.C. 2001. |
Nas formulações farmacêuticas em
gotas para bebês e crianças pequenas, deve-se considerar a conveniência de ter
preparações que contenham a necessidade basal de ferro absorvido por gota. Desta
forma a escolha da dose terapêutica se faz mais fácil. Onde a quantidade de
ferro ser ministrada deverá ser suficiente para síntese adequada de hemoglobina
e para a restauração de uma reserva de ferro corporal adequada.
Por exemplo, para poder oferecer
uma formulação que contenha 150 µg de ferro absorvido (de Ferrochel) por gota,
deve-se conhecer quantas gotas por ml se obtém da preparação, considerando a
viscosidade do mesmo. Em preparações que produzam 20 gotas por ml, a
concentração base deve ser:
|
[120 (µg de Fe) ÷ 0.4 (biodisponibilidade)]
= 0.300 mg de ferro absorvido por gota.
(0.300 x 20) ÷ 1000 = 6.0 mg de ferro/ml |
Sendo que o Ferrochel contém20%
de ferro, as formulações devem conter 30 mg de Ferrochel por ml.
Com esta concentração, uma gota
por Kg de peso corporal prove a quantidade de ferro necessária para suprir as
necessidades de uma criança até 1 ano de idade.
Para fins terapêuticos, a
quantidade de ferro administrada deve ser pelo menos três vezes maior que a
necessidade basal, ou seja, 3 gotas por Kg de peso corporal.
Conhecendo a concentração de
hemoglobina e de ferritina de uma criança anêmica, e seu peso em Kg, é possível
calcular o tempo e dose necessária para conseguir sua recuperação.
A elevada biodisponibilidade do
Ferrochel, permite realizar tratamentos efetivos de curta duração (4-6 semanas)
com doses 4-7 vezes menores do que as que são necessárias com formulações nas
quais o ferro se deriva de sais inorgânicos.
Dr. Oscar Pineda
Médico, Bacharel em Biologia e Química.
PhD em Bioquímica e Química
Diretor CELANEM Internacional
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1 - Viteri FE. Suplementación con hierro para el control de la deficiencia de
hierro en poblaciones a riesgo. En: Deficiencia de hierro. Desnutrición oculta
en la América Latina. Eds. A.M. O’Donnell, F.E. VIteri, E. Charmuega. CESNI,
BUenos Aires, Argentina, 1997.
2 - Stekel A. Necesidades de hierro en el lactante y el niño. En: El hierro en
la alimentación del lactante y el niño. Neste Nutrition, 1984.
3 - Dietary Reference Intakes. Iron. Food and Nutrition Boeard. Institute of
Medicine. National Academy Press. Washington, D.C. 2001.
4 - OMS. Informe sobre un estudio en colaboración OMS/OIEA acerca de la
lactancia natural. Cantidad y calidad de la leche materna. OMS, Ginebra, 1985.
5 - OMS. Informe de un estudio en colaboración OMS/OIEA. Elementos menores y
oligoelementos en la leche materna. OMS, Ginebra, 1989.
6 - Pineda O, Ashmead HD. Effectiveness of treatment of iron-deficiency anemia
in infants and young children with ferrous bis-glycinatre chelate. Nutrition
2001;17:381-4.
7 - Bovell-Benjamin AC, Viteri FE, Allen LH. Iron absorption from ferrous
bisglycinate and trisglycinate in whole maize is regulated by iron status. Am
J Clin Nutr 2000;71:1563-9.
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